quarta-feira, 4 de março de 2026

Uma garota de hobbies

imagens geradas por IA
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Minhas pequenas grandes paixões


Oi.
vamos falar sobre hobbies?
Mais expecificadamente, sobre os diversos hobbies que eu tive -e ainda tenho- até os dias de hoje.
Esse texto é para que a Ana do futuro nunca se esqueça do que a faz feliz. Para que ela se lembre de que está tudo bem não ser maravilhosa e perfeitamente boa em todas as coisas do mundo. Sua versão criança e adolescente,pelo menos, não ligava para isso.
Vamos começar com uma dúvida que talvez você deve estar se perguntando: se são SEUS hobbies, por que essa imagem inicial foi gerada por IA?
Eu tentei -sério, eu realmente tentei- procurar fotos para fazer uma colagem super legal, criativa e elaborada para colocar aqui, algo bem barbarizante mesmo. Mas não consegui.

Então vamos para os motivos. 👇

1. A galeria está uma zona. Logo, é muito difícil de encontrar qualquer foto específica lá. Mas vou deixar espaços... caso mais tarde eu encontre.

2. São hobbies. Coisas que faço para fujir do celular; espairecer; me distrair; relaxar a mente. Logo, nem tudo vai ter foto, lamento.

3. O celular queimou enquanto praticava um dos nossos hobbies favoritos, lembra? Fiquei morta de vergonha ( depois falo mais sobre isso), e perdemos grande parte de nossas fotos 😓.

Motivos expostos, vamos começar!

Um dia, enquanto praticava meu útimo hobbie, ao me ver toda suja de argila e a mesa completamente bagunçada, meu irmão soltou a seguinte exclamação:

"MEU DEUS , GAROTA...você tem quantos passatempos????"

Até esse momento, eu nunca tinha parado para pensar nisso.

Pois bem, pensei...
E cheguei à conclusão de que tenho muitos - dos mais variados tipos e estilos.

Então, por que não enumerá-los e relembrar cada um deles?Afinal, de alguma forma, todos marcaram a minha vida.

Já adianto: a lista vai ser longa.

Então pode preparar a pipoca.

1. O Ballet 2015-2018

  • O COMEÇO
Há muitos e muitos anos -no auge do meu terceiro ano do fundamental e dos meus singelos 8 anos de idade- a diretora entrou na sala de aula com uma moça.
Após apresentá-la, anunciou que aquela diva era professora de ballet e estava abrindo uma turma nova destinada a alunos daquele colégio público. Um programa comunitário.

E antes mesmo delas terminarem de falar eu já sabia:
eu estaria dentro.

Mas por que eu tinha tanta certeza?
Era de graça. E, tudo que era de graça eu fazia. Afinal, eu não tinha nada a perder mesmo.

Muito bem...falei com mamãe e fui super incentivada.
Sempre tive muito apoio da família para fazer aquilo que desejasse.

E assim seguiu.

Comecei a fazer as aulas e, como o estúdio ficava a uns 15 min a pé da minha casa, eu e alguns amigos da escola nos reuníamos com um responsável - claro- e íamos juntos.

Quando chegávamos mais cedo, tirávamos ímpar ou par para decidir quem iria ao hortifruti que ficava em frente para buscar as frutas das amostras grátis para a gente. Quem visse pensava até que passávamos fome, coitados. Mal sabiam que fazíamos isso por diversão.

  • A BAILARINA DESCOORDENADA


Bom, como dito anteriormente, eu não tinha nada a perder... pelo menos é o que eu pensava antes de começar.

Mas, na verdade, eu tinha sim: a minha dignidade.

eu era muito ruim.

Na verdade, esse adjetivo "ruim" é um eufemismo.

Eu era péssima.

Não tinha - e até hoje não tenho- nenhuma coordenação motora.

Só que eu amava fazer ballet, me sentia realizada. E, como era de graça, eu realmente não tinha nenhuma obrigação de ser boa. Era pura diversão.

Nesse meio tempo até zumba eu fiz. Hahahahaha
Dá pra imaginar? Eu dançando?

Tenha dó!


  • O ENCANTO

E assim, com o passar do tempo, participei de várias apresentações.

Ainda lembro do frio na barriga antes de entrar no palco.
Do medo de esquecer a coreografia.
Do caos que o camarim ficava enquanto as meninas se arrumavam.

Lembro de olhar pelas cortina e ver toda a minha família ali, só pra me ver.
Com camêras, celulares de péssima qualidade e sorrisos enormes na expectativa de me verem dançar.

Era incrível.
Era perfeito.

Até que as maldades começaram a se revelar.

  • O CHOQUE

Caso não saiba ( ou não se lembre) o ballet é um esporte extremamente competivo e perfeccionista - e eu não fazia ideia disso.

Por que ninguém me contou?

O primeiro vislumbre desse "mar de monstros" foi em uma apresentação.

Fizemos uma pequena exibição, com a individualidade de cada turma, no espaço externo do estúdio -que, aliás, tinha mudado de lugar, e agora funcionava em uma casa.

Havia várias meninas lá. Algumas eram ricas, pagavam as aulas e, por esse motivo se achavam superiores.

Não generalizando... uma ou outra era até legal.

Era o momento do lanche, de repor as energias.

Fui até a minha bolsa, toda feliz e animada, pegar um potinho com salgadinhos que mamãe tinha feito para eu comer.

E acredite: meninas de 10, 11, 12 anos - e até mais novas -podem ser bem más quando querem.

Algumas passaram por mim revirando os olhos e falando num tom propositalmente alto:

"Nossa... como alguém consegue comer essas coisas gordurosas?!"

Eu não comia aquilo todos os dias.

Eu era uma criança naturalmente saudável.
Nunca gostei de alguns alimentos que a maioria das pessoas ama, tipo: pizza, queijo, hambúrguer, lasanha, pudim, entre outros
Minha alimentação era regrada e sempre tinha no mínimo cinco cores diferentes no meu prato, com os mais variados legumes e verduras.

Refrigerante e doces só aos finais de semana.

Eu só comia alimentos " não saudáveis" em dias especiais.

E aquele era um dia especial.

E definitivamente eu não estava acima do peso.

Então, por que aquele simples e rápido comentário, feito por pessoas que eu nem conhecia, me atingiu tanto?

A questão é que, quando se é uma criança tímida, que de alguma forma só quer ser aceita, algumas atitudes não passam despercebidas.

Aquilo girou uma chavinha na minha cabeça.

Liberou uma emoção, um sentimento que até o momento eu ainda não tinha experimentado: constrangimento.

Mas, eu sempre fui muito amada.
E lembrada de quem eu sou e de quem me formou.

Apesar de ter me machucado e me feito pensar em coisas que eu não queria pensar, esse sentimento não frutificou em meu coração.

Porém... me marcou.

  • A PROVA SURPRESA

A segunda vez foi durante uma prova.
Eu nem sabia que teria uma. Fui pega completamente de surpresa.

Cheguei na aula e tinha uma mulher - bailarina profissional- que iria nos avaliar.

Gente... eu fiquei embasbacada, porque realmente não tinha ideia de que eu seria avaliada.

E ela passou alguns exercícios de equilíbrio, flexibilidade, força, criatividade, e eu nunca fui boa nessas coisas.

Eu gostava mesmo era da barra: devagar, exigente, clássico e - o mais importante- ali eu tinha tempo para pensar no que deveria fazer.

Ao final da aula, nos sentamos em círculo e ela foi nos dando alguns feedbacks. Alguns bons, outros ruins

E claro... eu fui o foco dos ruins.

Mas eu sabia levar um não.
Eu sabia que precisava melhorar.

Eu sei reconhecer quando alguém diz algo para o meu bem. isso eu guardo e levo como aprendizado.

E também sei quando alguém diz algo por simples maldade.

A avaliadora passou os pontos que eu precisaria melhorar. Fiz uma anotação mental para treinar mais aquilo em casa e voltar ainda melhor.

O problema foi durante a volta para casa.
Eu estava voltando com uma amiga e a avó dela. E a querida achou de bom tom explicar cada detalhe da aula em que eu fui mal - e dizer com todas as letras, que eu não era boa... como se eu não estivesse ali.

" Ela não leva jeito vó. Errou todos os exercícios. Tinha que ver as coisa que a avaliadora disse pra ela... muito ruinzinha. Mas eu arrasei."

Pelo menos podia ter esperado chegar em casa para fofocar, né?

Sabe... uma coisa é você mesmo se autocriticar.
Outra coisa é alguém que você ama, que te inspira -uma amiga próxima- dizer isso na sua cara, de um jeito nada amigável.

  • O FIM

Foi então que percebi, que o ballet agora não era mais só um hobby divertido que eu praticava duas vezes por semana.

Estava virando um dever.
Uma obrigação influnciada por terceiros - e também fortalecida por mim, em uma busca pela perfeição.

Eu deveria ser cada vez mais magra, forte, e flexível.

Aos poucos, tudo relacionado a esse esporte foi perdendo o brilho.

Somando a isso a mudança de escola, meus horários começaram a ficar apertados, não me sentia mais feliz com aquilo.

Então eu disse tchau pro ballet...
Antes que ficasse com algum trauma por causa dele.

E assim, um ciclo se encerrou.

Guardei as lembranças boas, as sapatilhas e o frio na barriga. O resto, deixei no camarim.

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