segunda-feira, 16 de março de 2026

O silêncio

Sinto falta de alguém para dividir o silêncio.

Mas quem?

A maioria das pessoas não gosta dele,

porque, normalmente, esconde algo desconfortável:

medo, insegurança, angústia ou a pressão de procurar as palavras certas.

Eu gosto.

Gosto de compartilhar o silêncio com quem amo.

Nele, me sinto confortável.

Nunca entendi esse receio que sentem quando ele está presente

e, no desespero, vão preenchendo as brechas com palavras vazias.

Mas não se engane:

eu amo conversar,

ouvir o que o outro tem para contar,

estar cercada de pessoas.

Eu amo o barulho da vida,

mas também amo o silêncio.

Sabe quando se está com quem se gosta

e se sente amada mesmo sem precisar de palavras,

se sente acolhida sem que nada precise ser dito?

O silêncio abraça

como um cobertor em dias frios

ou como um mar em dias quentes.

Mas esse tipo de silêncio só se tem com quem você possui intimidade,

quando você sabe que mesmo sem dizer nada,

a pessoa está ali,

te vendo

e te escolhendo.

Você já o ouviu?

O silêncio?

Já prestou atenção no que ele tem a dizer?

Temos que aprender a ouvi-lo,

mesmo que não estejamos acostumados a ele.

De primeira, pode soar como tedioso,

mas ele ensina, mesmo que ninguém entenda.

Por isso sinto falta de alguém para compartilhar o silêncio.

Mas quem?


segunda-feira, 9 de março de 2026

Uma garota de hobbies. Parte 3

 

imagens geradas por IA
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Minhas pequenas grandes paixões


Hoje lembrei do quanto amo pintar.
Tá, confesso: não foi exatamente hoje.

Há uns três dias fui comprar meu singelo material para a faculdade. Fui sozinha a uma papelaria perto de casa, com um atendente super legal. Conversa vai, conversa vem, e me peguei perguntando se lá tinha papel cartão (um papel mais grosso e com textura).

Ele disse que sim e me mostrou um grande bloco de papel cartão fosco.

Ele era tão simpático que eu tive que comprar. Isso porque, durante todo o ano de 2025, eu procurei em diversos lugares esse tipo de papel e nunca encontrava.

Então eu perguntei só por desencargo de consciência - e me surpreendi quando ele disse que tinha.

Talvez eu tenha me empolgado um pouco, e aproveitado para comprar pincéis novos.

Definitivamente, eu não posso ir sozinha a lojas em que os atendentes são legais.

Isso me despertou uma vontade absurda de pintar, só para usar esses materiais novos.

Mas antes de mostrar minhas pinturas, preciso te contar quando esse hobby surgiu.

AQUARELAS

Meu irmão e meu primo são simplesmente incríveis no desenho.
Desde que aprendi a segurar um lápis, eu tentava imitar os desenhos deles.

Eu achava - e ainda acho - incrível o dom de passar pro papel aquilo que os olhos veem.

Mas eu não tinha muito talento para isso. Não sabia exatamente onde errava, só sabia que nunca ficava tão bom quanto os deles.

Como pode uma mão conseguir reproduzir com exatidão uma imagem só olhando? E sem aparentar dificuldade nenhuma?

Como uma simples linha, um arco, um ângulo, podem virar obras-primas?

Durante muito tempo, essa visão sobre a arte me limitou. Eu achava que, para ser bonito ou interessante precisaria ser perfeito.

Uma frustração profunda me invadia sempre que eu percebia que não era perfeita o suficiente.

Então eu parei.

A perfeição atrasou o meu encontro comigo mesma.

E abandonei aquilo que eu gostava.

Anos depois, já mais velha, achei no armário - lembra dele? Já apareceu aqui - um antigo livro de colorir.

E pensei:
por que não?

Por que não dar uma nova chance a isso?

Peguei meus lápis de colorir e comecei. Só que eles não eram bons, e eu precisava fazer muita força para que as cores ficassem do jeito que eu queria.

Foi então que a dor em minhas mãos foi se intensificando.

Eis um ponto:

Eu tenho tendinite.

Logo, qualquer movimento repetitivo realizado por muito tempo me causa dor.

Será que eu deveria desistir?

Mas poxa... eu gostava tanto.

Pois bem, não desisti. Comecei a procurar outra forma que me permitisse continuar.

Foi então que me deparei com um estojo, quase reluzindo no meio da bagunça da minha estante.

Sabe aqueles enormes, cheios de giz, canetinhas, lápis e tudo que uma criança precisa na escola?

Era desses.

E dentro dele havia aquarelas.

Lembro da primeira vez que molhei o pincel na água, encostei na tinta e percebi que não precisava fazer força para aumentar ou diminuir a intensidade da cor.

Quase chorei de felicidade.

Mesmo sem o papel certo ou o pincel ideal, resolvi fazer meu primeiro desenho. E senti uma leveza, uma paz que não consigo descrever em palavras.

Afinal, nem tudo que nos propomos a fazer vai sair perfeito de primeira. Às vezes nem de segunda nem de terceira.

Por isso, quando há três dias o vendedor da loja disse que lá tinha o papel cartão fosco - exatamente o que eu queria - e os pincéis ideais, eu não pude dizer não.

E ontem, às 00:00, ao terminar uma pintura com os materiais com que eu sempre sonhei, lembrei do quanto amo pintar.

seguem algumas das minhas pinturas.







Por que você ta rindo? Eu não lembro de dizer que sou boa nisso.

sexta-feira, 6 de março de 2026

Uma garota de hobbies. Parte 2

 

imagens geradas por IA
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Minhas pequenas grandes paixões


2. PATINS ? - ...

Dizem que toda história tem um começo, meio e fim.
Mas eu não sei onde essa deveria começar - ou melhor, não me lembro.

A vida inteira tive patins guardados em meus armários.
Não sei quem ou o que despertou em mim a vontade de patinar. Não sei quem comprou meus primeiros patins,nem ao menos quem me ensinou.

A única certeza que tenho é que serei eternamente grata a essa pessoa - seja lá quem for - por ter me introduzido nesse esporte que moldou grande parte da minha infância, adolescência e começo da juventude.

Também não posso dizer qual é o meio dessa história, muito menos qual será o final, já que essas portas ainda não foram fechadas.

Então vamos seguir, mesmo sem saber a direção, e ver no que vai dar.

Afinal, talvez a melhor parte de viver seja justamente essa:
o mistério de ir, mesmo sem saber para onde se está indo.
  • UMA VISITA A MEMÓRIA
Há alguns dias eu estava procurando por palhas (isso mesmo, você não entendeu errado).Uma amiga precisava delas para um trabalho, e eu tinha quase certeza de que havia visto uma sacola cheia de palhas no armário.

Um armário que fica com várias coisas aleatórias.

Tenho certeza que você tem um desses em sua casa: uma gaveta, um armário ou até mesmo um cômodo inteiro.

Daquele tipo em que guardamos memórias físicas e palpáveis - coisas que acreditamos que, em algum momento, talvez ainda nos sejam úteis.

Enfim,durante essa intensa busca... eu os vi. No fundo do armário, quase escondidos entre coisas esquecidas, estavam eles.

Pretos, amarelos, meio carcomidos pelo tempo - não vou negar -, mas ainda assim belos.

Meus patins.
  • DESEQUILÍBRIO
Eu sou uma pessoa um pouco desequilibrada.

Não calma - não sou louca. É um desequilíbrio físico mesmo.

Eu caio muito. E quando era criança tinha certa dificuldade em ficar simplesmente em pé. Na maioria das vezes, se fico muito tempo parada, acabo caindo.

O que é irônico.

Porque, quando eu estava sobre rodas, meu equilíbrio era perfeito.

Talvez pela sensação constante de perigo meu corpo acendesse algum tipo de alerta e ficasse mais atento.

Não sei.

O que eu sei é que, por causa dessas quedas constantes, eu aprendi a cair.

Talvez seja por isso que eu gostasse tanto de andar de patins. O medo - e até a vergonha de cair - nunca foram um impedimento para mim.

Não pense que eu era algum tipo de profissional, nada disso.

Eu não sabia frear, não sabia andar de costas e muito menos fazer nenhum tipo de manobra.

Mas eu não tinha medo de tentar.
  • A QUEDA
Teve uma noite- nunca me esquecerei- em que minha família estava na rua.

Em dias quentes de verão, cada morador pegava sua cadeira de plástico e a colocava na calçada de casa. Ali ficavam jogando conversa fora, rindo, com suas garrafinhas de água ao lado.

Minha família fazia parte dessa turma.

Enquanto isso eu e minha prima estávamos andando de patins.
Ela fazia um verdadeiro show: corria, girava, pulava.

e eu... andava

Naquele momento, meu ego infantil me disse que, se ela conseguia, eu também conseguiria.

Pois bem.

Reuni toda a coragem que tinha, peguei impulso, levantei a perna...

E antes mesmo de tirar as rodas do chão, eu caí.

Com força.

No asfalto quente.

Meu mundo naquele momento ficou em câmera lenta. As risadas e os gritos ao fundo se tornaram apenas vozes abafadas.

Senti uma luz - daquelas de holofote - apontada diretamente para mim.

Eu só queria que um buraco se abrisse no chão para que eu pudesse entrar.

Fiz uma cara de choro em direção a minha mãe.

O que ela disse?

-Tá sangrando?
-Consegue levantar?
-Quer continuar ?

Se as respostas fossem "não", "sim" e "sim", ela falava:

-Então sacode a poeira, levanta, e tenta de novo.

Não porque ela não se importava.
Mas porque, às vezes, a única forma de aprender a levantar… é caindo.

Lição aprendida.

Levantei... e caí mais oito vezes naquela mesma noite.

E existe algo importante nisso: as pessoas precisam ver você se levantar e tentar novamente.

Caso contrário, a sua queda será a última lembrança que terão de você.

E não se esqueça, a maior vergonha sempre será a próxima.
  • VELHOS AMIGOS
Meu momento favorito com eles era ir até a pista de skate e descer aqueles morros e escadas. Eu me divertia muito.

Isso durou até os primeiros meses de excitação da redescoberta dos meus patins.

Assim é o meu relacionamento com eles.
Igual àquela amizade em que as pessoas não trocam mensagens nem se ligam no dia a dia. Mas, quando se encontram têm conversas para dar e vender.

Não costumo andar com frenquência, porém quando coloco os patins nos pés sinto algo parecido com um abraço. Uma nostalgia.
Uma intimidade com as rodas que tenho com poucas coisas na vida.

E automaticamente me sinto com 12 anos novamente.

Não sei quando irei andar outra vez.

Só que esses dias eu os vi, no fundo do armário, quase escondidos entre coisas esquecidas.

E me senti equilibrada.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Uma garota de hobbies

imagens geradas por IA
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Minhas pequenas grandes paixões


Oi.
vamos falar sobre hobbies?
Mais expecificadamente, sobre os diversos hobbies que eu tive -e ainda tenho- até os dias de hoje.
Esse texto é para que a Ana do futuro nunca se esqueça do que a faz feliz. Para que ela se lembre de que está tudo bem não ser maravilhosa e perfeitamente boa em todas as coisas do mundo. Sua versão criança e adolescente,pelo menos, não ligava para isso.
Vamos começar com uma dúvida que talvez você deve estar se perguntando: se são SEUS hobbies, por que essa imagem inicial foi gerada por IA?
Eu tentei -sério, eu realmente tentei- procurar fotos para fazer uma colagem super legal, criativa e elaborada para colocar aqui, algo bem barbarizante mesmo. Mas não consegui.

Então vamos para os motivos. 👇

1. A galeria está uma zona. Logo, é muito difícil de encontrar qualquer foto específica lá. Mas vou deixar espaços... caso mais tarde eu encontre.

2. São hobbies. Coisas que faço para fujir do celular; espairecer; me distrair; relaxar a mente. Logo, nem tudo vai ter foto, lamento.

3. O celular queimou enquanto praticava um dos nossos hobbies favoritos, lembra? Fiquei morta de vergonha ( depois falo mais sobre isso), e perdemos grande parte de nossas fotos 😓.

Motivos expostos, vamos começar!

Um dia, enquanto praticava meu útimo hobbie, ao me ver toda suja de argila e a mesa completamente bagunçada, meu irmão soltou a seguinte exclamação:

"MEU DEUS , GAROTA...você tem quantos passatempos????"

Até esse momento, eu nunca tinha parado para pensar nisso.

Pois bem, pensei...
E cheguei à conclusão de que tenho muitos - dos mais variados tipos e estilos.

Então, por que não enumerá-los e relembrar cada um deles?Afinal, de alguma forma, todos marcaram a minha vida.

Já adianto: a lista vai ser longa.

Então pode preparar a pipoca.

1. O Ballet 2015-2018

  • O COMEÇO
Há muitos e muitos anos -no auge do meu terceiro ano do fundamental e dos meus singelos 8 anos de idade- a diretora entrou na sala de aula com uma moça.
Após apresentá-la, anunciou que aquela diva era professora de ballet e estava abrindo uma turma nova destinada a alunos daquele colégio público. Um programa comunitário.

E antes mesmo delas terminarem de falar eu já sabia:
eu estaria dentro.

Mas por que eu tinha tanta certeza?
Era de graça. E, tudo que era de graça eu fazia. Afinal, eu não tinha nada a perder mesmo.

Muito bem...falei com mamãe e fui super incentivada.
Sempre tive muito apoio da família para fazer aquilo que desejasse.

E assim seguiu.

Comecei a fazer as aulas e, como o estúdio ficava a uns 15 min a pé da minha casa, eu e alguns amigos da escola nos reuníamos com um responsável - claro- e íamos juntos.

Quando chegávamos mais cedo, tirávamos ímpar ou par para decidir quem iria ao hortifruti que ficava em frente para buscar as frutas das amostras grátis para a gente. Quem visse pensava até que passávamos fome, coitados. Mal sabiam que fazíamos isso por diversão.

  • A BAILARINA DESCOORDENADA


Bom, como dito anteriormente, eu não tinha nada a perder... pelo menos é o que eu pensava antes de começar.

Mas, na verdade, eu tinha sim: a minha dignidade.

eu era muito ruim.

Na verdade, esse adjetivo "ruim" é um eufemismo.

Eu era péssima.

Não tinha - e até hoje não tenho- nenhuma coordenação motora.

Só que eu amava fazer ballet, me sentia realizada. E, como era de graça, eu realmente não tinha nenhuma obrigação de ser boa. Era pura diversão.

Nesse meio tempo até zumba eu fiz. Hahahahaha
Dá pra imaginar? Eu dançando?

Tenha dó!


  • O ENCANTO

E assim, com o passar do tempo, participei de várias apresentações.

Ainda lembro do frio na barriga antes de entrar no palco.
Do medo de esquecer a coreografia.
Do caos que o camarim ficava enquanto as meninas se arrumavam.

Lembro de olhar pelas cortina e ver toda a minha família ali, só pra me ver.
Com camêras, celulares de péssima qualidade e sorrisos enormes na expectativa de me verem dançar.

Era incrível.
Era perfeito.

Até que as maldades começaram a se revelar.

  • O CHOQUE

Caso não saiba ( ou não se lembre) o ballet é um esporte extremamente competivo e perfeccionista - e eu não fazia ideia disso.

Por que ninguém me contou?

O primeiro vislumbre desse "mar de monstros" foi em uma apresentação.

Fizemos uma pequena exibição, com a individualidade de cada turma, no espaço externo do estúdio -que, aliás, tinha mudado de lugar, e agora funcionava em uma casa.

Havia várias meninas lá. Algumas eram ricas, pagavam as aulas e, por esse motivo se achavam superiores.

Não generalizando... uma ou outra era até legal.

Era o momento do lanche, de repor as energias.

Fui até a minha bolsa, toda feliz e animada, pegar um potinho com salgadinhos que mamãe tinha feito para eu comer.

E acredite: meninas de 10, 11, 12 anos - e até mais novas -podem ser bem más quando querem.

Algumas passaram por mim revirando os olhos e falando num tom propositalmente alto:

"Nossa... como alguém consegue comer essas coisas gordurosas?!"

Eu não comia aquilo todos os dias.

Eu era uma criança naturalmente saudável.
Nunca gostei de alguns alimentos que a maioria das pessoas ama, tipo: pizza, queijo, hambúrguer, lasanha, pudim, entre outros
Minha alimentação era regrada e sempre tinha no mínimo cinco cores diferentes no meu prato, com os mais variados legumes e verduras.

Refrigerante e doces só aos finais de semana.

Eu só comia alimentos " não saudáveis" em dias especiais.

E aquele era um dia especial.

E definitivamente eu não estava acima do peso.

Então, por que aquele simples e rápido comentário, feito por pessoas que eu nem conhecia, me atingiu tanto?

A questão é que, quando se é uma criança tímida, que de alguma forma só quer ser aceita, algumas atitudes não passam despercebidas.

Aquilo girou uma chavinha na minha cabeça.

Liberou uma emoção, um sentimento que até o momento eu ainda não tinha experimentado: constrangimento.

Mas, eu sempre fui muito amada.
E lembrada de quem eu sou e de quem me formou.

Apesar de ter me machucado e me feito pensar em coisas que eu não queria pensar, esse sentimento não frutificou em meu coração.

Porém... me marcou.

  • A PROVA SURPRESA

A segunda vez foi durante uma prova.
Eu nem sabia que teria uma. Fui pega completamente de surpresa.

Cheguei na aula e tinha uma mulher - bailarina profissional- que iria nos avaliar.

Gente... eu fiquei embasbacada, porque realmente não tinha ideia de que eu seria avaliada.

E ela passou alguns exercícios de equilíbrio, flexibilidade, força, criatividade, e eu nunca fui boa nessas coisas.

Eu gostava mesmo era da barra: devagar, exigente, clássico e - o mais importante- ali eu tinha tempo para pensar no que deveria fazer.

Ao final da aula, nos sentamos em círculo e ela foi nos dando alguns feedbacks. Alguns bons, outros ruins

E claro... eu fui o foco dos ruins.

Mas eu sabia levar um não.
Eu sabia que precisava melhorar.

Eu sei reconhecer quando alguém diz algo para o meu bem. isso eu guardo e levo como aprendizado.

E também sei quando alguém diz algo por simples maldade.

A avaliadora passou os pontos que eu precisaria melhorar. Fiz uma anotação mental para treinar mais aquilo em casa e voltar ainda melhor.

O problema foi durante a volta para casa.
Eu estava voltando com uma amiga e a avó dela. E a querida achou de bom tom explicar cada detalhe da aula em que eu fui mal - e dizer com todas as letras, que eu não era boa... como se eu não estivesse ali.

" Ela não leva jeito vó. Errou todos os exercícios. Tinha que ver as coisa que a avaliadora disse pra ela... muito ruinzinha. Mas eu arrasei."

Pelo menos podia ter esperado chegar em casa para fofocar, né?

Sabe... uma coisa é você mesmo se autocriticar.
Outra coisa é alguém que você ama, que te inspira -uma amiga próxima- dizer isso na sua cara, de um jeito nada amigável.

  • O FIM

Foi então que percebi, que o ballet agora não era mais só um hobby divertido que eu praticava duas vezes por semana.

Estava virando um dever.
Uma obrigação influnciada por terceiros - e também fortalecida por mim, em uma busca pela perfeição.

Eu deveria ser cada vez mais magra, forte, e flexível.

Aos poucos, tudo relacionado a esse esporte foi perdendo o brilho.

Somando a isso a mudança de escola, meus horários começaram a ficar apertados, não me sentia mais feliz com aquilo.

Então eu disse tchau pro ballet...
Antes que ficasse com algum trauma por causa dele.

E assim, um ciclo se encerrou.

Guardei as lembranças boas, as sapatilhas e o frio na barriga. O resto, deixei no camarim.

O silêncio

Sinto falta de alguém para dividir o silêncio. Mas quem? A maioria das pessoas não gosta dele, porque, normalmente, esconde algo desconfortá...