segunda-feira, 9 de março de 2026

Uma garota de hobbies. Parte 3

 

imagens geradas por IA
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Minhas pequenas grandes paixões


Hoje lembrei do quanto amo pintar.
Tá, confesso: não foi exatamente hoje.

Há uns três dias fui comprar meu singelo material para a faculdade. Fui sozinha a uma papelaria perto de casa, com um atendente super legal. Conversa vai, conversa vem, e me peguei perguntando se lá tinha papel cartão (um papel mais grosso e com textura).

Ele disse que sim e me mostrou um grande bloco de papel cartão fosco.

Ele era tão simpático que eu tive que comprar. Isso porque, durante todo o ano de 2025, eu procurei em diversos lugares esse tipo de papel e nunca encontrava.

Então eu perguntei só por desencargo de consciência - e me surpreendi quando ele disse que tinha.

Talvez eu tenha me empolgado um pouco, e aproveitado para comprar pincéis novos.

Definitivamente, eu não posso ir sozinha a lojas em que os atendentes são legais.

Isso me despertou uma vontade absurda de pintar, só para usar esses materiais novos.

Mas antes de mostrar minhas pinturas, preciso te contar quando esse hobby surgiu.

AQUARELAS

Meu irmão e meu primo são simplesmente incríveis no desenho.
Desde que aprendi a segurar um lápis, eu tentava imitar os desenhos deles.

Eu achava - e ainda acho - incrível o dom de passar pro papel aquilo que os olhos veem.

Mas eu não tinha muito talento para isso. Não sabia exatamente onde errava, só sabia que nunca ficava tão bom quanto os deles.

Como pode uma mão conseguir reproduzir com exatidão uma imagem só olhando? E sem aparentar dificuldade nenhuma?

Como uma simples linha, um arco, um ângulo, podem virar obras-primas?

Durante muito tempo, essa visão sobre a arte me limitou. Eu achava que, para ser bonito ou interessante precisaria ser perfeito.

Uma frustração profunda me invadia sempre que eu percebia que não era perfeita o suficiente.

Então eu parei.

A perfeição atrasou o meu encontro comigo mesma.

E abandonei aquilo que eu gostava.

Anos depois, já mais velha, achei no armário - lembra dele? Já apareceu aqui - um antigo livro de colorir.

E pensei:
por que não?

Por que não dar uma nova chance a isso?

Peguei meus lápis de colorir e comecei. Só que eles não eram bons, e eu precisava fazer muita força para que as cores ficassem do jeito que eu queria.

Foi então que a dor em minhas mãos foi se intensificando.

Eis um ponto:

Eu tenho tendinite.

Logo, qualquer movimento repetitivo realizado por muito tempo me causa dor.

Será que eu deveria desistir?

Mas poxa... eu gostava tanto.

Pois bem, não desisti. Comecei a procurar outra forma que me permitisse continuar.

Foi então que me deparei com um estojo, quase reluzindo no meio da bagunça da minha estante.

Sabe aqueles enormes, cheios de giz, canetinhas, lápis e tudo que uma criança precisa na escola?

Era desses.

E dentro dele havia aquarelas.

Lembro da primeira vez que molhei o pincel na água, encostei na tinta e percebi que não precisava fazer força para aumentar ou diminuir a intensidade da cor.

Quase chorei de felicidade.

Mesmo sem o papel certo ou o pincel ideal, resolvi fazer meu primeiro desenho. E senti uma leveza, uma paz que não consigo descrever em palavras.

Afinal, nem tudo que nos propomos a fazer vai sair perfeito de primeira. Às vezes nem de segunda nem de terceira.

Por isso, quando há três dias o vendedor da loja disse que lá tinha o papel cartão fosco - exatamente o que eu queria - e os pincéis ideais, eu não pude dizer não.

E ontem, às 00:00, ao terminar uma pintura com os materiais com que eu sempre sonhei, lembrei do quanto amo pintar.

seguem algumas das minhas pinturas.







Por que você ta rindo? Eu não lembro de dizer que sou boa nisso.

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